Sala Paradoxo
Vivemos em uma era de EXCESSOS E ESCASSEZ convivem lado a lado, criados pelas próprias mãos humanas.
Nesta série, 12 contrastes da nossa sociedade contemporânea.
Entre o excesso e a falta
Vivemos tempos de abundância e de vazio.
Há mesas repletas de alimentos e bocas famintas que nunca as alcançam.
A água jorra em fontes intocáveis enquanto outras mãos racham na sede.
Prédios dormem vazios sob a lua e corpos se encolhem em papelão nas calçadas.
Chamamos de progresso o que exclui, chamamos de justiça o que pesa mais de um lado.
Na mesma cidade onde salários se acumulam em cifras indecentes, há trabalhadores que trocam sua vida por migalhas.
No mesmo mundo em que livros são impressos em excesso, há crianças que nunca seguraram um lápis inteiro.
Enquanto a terra clama, soterrada em plástico e fumaça, ainda insistimos em chamar de descartável o que é essencial.
Guerras transformam lares em cinzas e pessoas em passos sem destino.
A riqueza ergue muros dourados, enquanto a pobreza expõe sua pele ao vento.
A energia acende telas brilhantes, mas não ilumina todas as casas.
E até a arte, nascida para ser livre, é aprisionada em moldes da indústria que a vende como mercadoria.
Esses paradoxos são feridas abertas.
São espelhos que nos obrigam a encarar o que preferimos esconder.
Entre o excesso e a escassez, entre o que sobra e o que falta, mora a contradição de nossa era.
Esta série é um grito e um convite.
Um grito contra a indiferença.
Um convite a ver e a sentir o que se oculta sob a rotina anestesiada.
Porque talvez, ao olhar para essas imagens, possamos nos perguntar:
O que fazemos com o que temos demais?
E o que faremos com os que têm de menos?