Sala Nostalgia
A série Nostalgia conta pequenos fragmentos de momentos que ficaram na memória da artista.
1 - O velho ônibus na estrada de chão do sertão que passava e era um acontecimento.
2 - Da pequena caixa que abrigava-a na sombra de uma árvore, enquanto esperava pelos seu pais que trabalhavam no trabalho árduo da lavoura. Ali chorava, dormia, acordava e mamava enquanto o dia passava.
3- Do cavalo que era a única forma de transporte do casal em visita à casa dos avós nos finais de semana.
4- Do primeiro desenho feito no primeiro momento em que foi à escola e da corrida até a casa para dar de presente para a mãe dizendo: foi eu quem fez!
5- Da lata de água que a mãe carregava por vários quilômetros por causa de uma seca que castigava ainda mais o sertão e as vidas que ali viviam.
6- Do choro ao acordar e dar por conta que sozinha ali estava; os medos, as lagrimas até dormir novamente, a espera da mãe.
7- O dia da mudança, um caminhão e toda família de retirantes que ia tentar a vida de na cidade.
8 – A vida de operário na cidade e o maior meio de transporte da época, a bicicleta.
9 – A combi do Negão que tinha as frutas mais cheirosas e gostosas, mas muitas vezes dinheiro não havia no dia, então era pedido e generosamente atendido para pagar com o salario da mãe na próxima semana.
10 – O armazém do seu Armando, no final do mês a mãe dava o equivalente ao valor de um sanduiche e um refrigerante, então eu e meu irmão mais novo saíamos correndo até o armazém e ali saboreávamos o melhor sanduiche de mortadela.
11 – A visita da casa da vó no interior nas férias, os dias mais felizes da vidaaaa, pois igual a casa da vó não há. A casa mais gostosa de estar. Brincando desde da hora de acordar até a noite na hora de dormir e o detalhe não havia energia elétrica, mas não precisava pois tinham as rodas de conversa e polenta com leite a noite.
12 – A melhor hora da adolescência; hora de escutar música com a minha amiga; ali falávamos dos nossos gostos musicais, dos nossos sonhos, enquanto ela falava da música eu falava da pintura. Não sabíamos, mas um dia tudo isso se tornariam nossas profissões e casaríamos.
E assim termina a infância, a inocência, a ingenuidade....a nostalgia de viver em um tempo em que o tempo passava devagar; que brincávamos, cantávamos, ouvíamos as história dos mais velhos. O tempo em que todos os dias eram bons e não sabíamos que o mundo real também era mal.
Então não deixe que a maldade do mundo seja normal, precisamos continuar acreditando que o mundo tem jeito, mesmo que seja através do olhar de uma criança.